Um produto que faz uma coisa: tira o desvio da conta do produtor e põe-no na nossa. Sem serviços de sistema, sem partilha de receita de mercado, sem complexidade contratual.
O produtor não é pago pela energia injetada. É pago pela energia que o ativo teria entregue, calculada a partir de um sensor instalado na central: piranómetro no solar, anemómetro no eólico. É o termo que os contratos internacionais designam por deemed energy.
A função que converte a medição em produção é ajustada com o histórico da própria central. Não é uma curva de catálogo nem um P50 de projeto — o P50 só entra como recurso, por período limitado, em caso de avaria, deriva ou dúvida sobre o sensor.
Passa a depender só do recurso. É essa mudança de referência que permite tudo o resto.
Por isso em centrais maiores há rede de sensores com redundância, e a limpeza e a calibração são matéria contratual.
O desvio apura-se ao fim de uma semana. O relatório mensal fecha a conta e mostra o coeficiente em vigor.
Uma referência de faturação controlada por quem paga só funciona se quem recebe a puder reconstruir. Quatro requisitos, todos contratuais.
Tipicamente com preço negativo, quando injetar custa dinheiro. É uma decisão de gestão nossa, e está coberta: a energia é medida no sensor e continua a ser paga.
Uma restrição do operador de rede, externa a este contrato. A garantia cobre o que nós decidimos, não o que o operador impõe: sem capacidade de conduzir a central à distância, esse risco é do produtor.
Emitem-se sobre energia real. Nas paragens que nós decidimos, repomo-las em certificados ou no seu valor, independentemente de nos ter entregue a venda das restantes.
Três condições. Capacidade de condução à distância da central — sem ela não podemos parar quando o preço é negativo, e o desvio volta a ser do produtor. Histórico de produção suficiente para ajustar a função de conversão. E acesso ao local para instalar e manter a estação meteorológica.
Um PPA físico em pay-as-produced dá ao comprador direito à energia fisicamente produzida. Se reduzirmos a injeção, o produtor incumpre, e o efeito é agressivo — compensação, ou energia de substituição comprada nas horas caras.
Há duas saídas, e ambas funcionam. Estender ao corte por decisão de mercado as cláusulas de deemed generation que o PPA já tem para cortes de rede — o comprador não perde valor esperado. Ou trabalhar apenas sobre a parcela não contratada, que na maioria dos PPA existe. Nos PPA financeiros não há entrega física; basta verificar sobre que volume liquidam.
«Tem PPA? De que tipo? Sobre que percentagem?» é pergunta de primeira reunião, não de diligência devida.
A referência é o sensor, a função é ajustada ao histórico da central, e o desvio é nosso — dos dois lados da fronteira. O que muda é o sistema de liquidação em que o ativo está inscrito, e por isso o perímetro é nacional: não há compensação de desvios entre Portugal e Espanha.
A wattimize está em processo de habilitação nos dois mercados. Até estar concluído, o acesso é assegurado pelo Grupo Gesto Energia, que opera em Portugal desde 2008 e é um dos poucos BSP independentes registados na REN.
Indique a potência, a tecnologia e o enquadramento contratual. Analisamos o histórico separando o efeito meteorológico do efeito de despacho, e quantificamos o número — antes de haver proposta.